




Hoje não estava para escrever, queria ouvir o que tinhas para me dizer. 


Cada vez custa mais.
Cada vez é mais difícil!
Não consigo fechar os olhos.
Onde vamos parar?
Onde é que isto nos vai levar?
Como posso eu viver assim?
Fecho os olhos e só te vejo a ti.
Não posso, não devo, não é justo.
E agora, o que faço?
Que faço com tudo isto?
Diz-me se souberes.
E, as tuas palavras trazem a dor de um amor, que aos olhos de quem nunca amou ou foi amado, parece impossível. Mas, não aos meus.
Eu sei que é demasiado complicado o que estamos e principalmente tu estás a passar.
Sim, é muito difícil, nem eu consigo lidar bem com isso. Deixei a minha amizade com ele para segundo, terceiro ou quarto plano. Não é fácil para mim. Mas que ninguém me peça para abdicar da paixão da minha vida, da nossa felicidade por outra pessoa. É muito cruel, eu sei. Não será justo, certamente que não. Mas será justo que quando se pode ter a pessoa que se ama a pegar na nossa mão e a dar-nos o carinho que se deseja, que seja outro a ocupar esse lugar? Será justo acordar e olhar para o lado e não ver o rosto da pessoa amada? E ver a tristeza no olhar de quem se ama? E deixar de lado os sonhos? E perder a magia da vida? Para depois não valorizar, o sol, o luar. Nunca mais olhar as estrelas e ver o amor à vida definhar um pouco de cada vez. E deixamos de ser imortais, passamos a ser apenas mais uns a quem a vida vai levando.
Sim, a tua amiga talvez tenha razão quando diz que eu tenho menos a perder. Tu tens o teu filho e isso ninguém te pode tirar. Eu tenho o teu amor e só quando fecho os olhos ninguém o pode roubar.
Terás que encontrar as respostas dentro de ti, não posso dizer para fazeres o correcto aos olhos da sociedade hipócrita, e ficares com ele. Quem no teu lugar deixaria o amor pela palavra no altar? Qual das tuas amigas deixaria um amor arrebatador porque a família gosta dele? Quem dos nossos amigos seria capaz de trocar a paixão pelo passado em comum? Sei que é muito complicado pelo teu filho, mas de quantas histórias de sucesso precisas tu de crianças felizes criadas por pais divorciados?
Mas, se no fim a tua decisão, for a de abdicar de mim, não duvidarei um segundo que seja, do amor que sentes por mim. Saberei que não foi por falta de vontade mas sim com uma coragem que me transcende e da qual acho que não seria capaz, que seguiste outro caminho que não o nosso.
E amar-te-ei em silêncio e nos meus olhos verás o reflexo da nossa desilusão.
E em cada música escutada o meu feitiço voltará. Será nos filmes, nos anúncios e nas novelas, cada história será a nossa, cada música me trará de volta para teu desassossego.
Tentarás fechar o teu coração e quando fores velhinha pensarás no teu amor de menina depois mulher, em como estiveste tão perto... que a tua vida foi feliz como eu desejo, e ali rodeada dos netos e bisnetos contarás histórias de um amor proibido e pedirás à mais traquina das crianças que vá buscar a pequena caixa das recordações e mostrarás a velha página da revista com a menina que sonhamos ter. E na velha caixa um monte de folhas também elas marcadas pelos anos terão as palavras do nosso amor. Morreu cedo demais! Dirás tu, abraçada ao velho papel. Ele e o nosso sonho. Porque o nosso amor viverá para sempre, enquanto alguém olhar o mar e ver mais do que simplesmente água...
"Nunca digas que esqueceste um amor, diga apenas que consegue falar nele sem chorar, pois o verdadeiro amor é...inesquecível." (Autor desconhecido)
"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar." (Carlos Drummond de Andrade)
"As paixões cegam. O verdadeiro amor nos torna lúcidos." (Anónimo)
"Amar é superar-se." (Oscar Wilde)
"Amar é receber um vislumbre do céu." (Karen Sunde)
"Amar é saborear nos braços de um ente querido a porção de céu que Deus depôs na carne." (Victor Hugo)
"Amar-mo-nos é lutar constantemente contra milhares de forças ocultas que brotam de nós mesmos ou do mundo." (Jean Anouilh)
"As feridas do amor só podem ser curadas por aquele que as fez." (Publílio Siro)



